Inconsciente

O inconsciente é uma hipótese que funda a psicanálise. Trata-se de um “lugar” do psiquismo onde ficariam armazenadas as representações reprimidas, as pulsões sexuais. Onde se encontra o saber literal, desprovido de significação, que organiza o gozo, a fantasia, a percepção e a economia orgânica do indivíduo. A prova de sua existência é que o que foi recalcado retorna no real. Pode-se verificar a existência do inconsciente pela sua manifestação através dos sonhos, dos atos falhos, dos chistes (gracejo, dito ou ato engraçado) e dos sintomas.
Fonte: CHEMANA, Roland, VANDERMERSCH, Bernanrd. Dictionnaire de la psychanalyse. Paris: Larousse, 2018.
Para Lacan, o inconsciente não é simplesmente um depósito de desejos reprimidos, como em algumas interpretações freudianas mais tradicionais. No início do seu ensino, Lacan concebe o inconsciente como estruturado como uma linguagem. Isso significa que o inconsciente é formado por significados e símbolos que se expressam por meio de processos linguísticos e simbólicos.
Mais tarde em seu ensino, Lacan desenvolve o inconsciente habitado pelo “não-dito”, pelos significantes e desejos que estão além da consciência, mas que se manifestam por meio de lapsos, sonhos, sintomas e outras formações. Ele acreditava que o inconsciente é estruturado em torno do que ele chamava de “Real”, uma dimensão que não pode ser simbolizada e que está fora da linguagem. Assim, o inconsciente lacaniano é uma interação complexa entre o simbólico, o imaginário e o Real (RSI), onde os desejos e significados são constantemente negociados e transformados.