
O que é a psicanálise
A análise é uma prática de palavra.
Trata-se de uma prática não regulamentada. Isso quer dizer que não há lei ou órgão de fiscalização da profissão, diferente do que ocorre com a Psicologia, por exemplo, cujo órgão fiscalizador é o Conselho de Psicologia ou com a Medicina, cujo órgão fiscalizador é o Conselho de Medicina. Isso não quer dizer que ela não tenha que obedecer às leis do país ou que o psicanalista possa agir como quiser e não tenha uma ética a seguir. Há uma orientação da prática, que é feita normalmente pelas escolas de formação em psicanálise. Há diversas escolas e correntes psicanalíticas ao redor do mundo, entre elas a jungiana (de Jung), a lacaniana (de Lacan), a kleiniana (de Melanie Klein), a winnikottiana (de Winnicott) e, claro, a Freudiana, de Sigmund Freud, considerado o “pai” da psicanálise. Cada uma dessas escolas tem sua orientação para a formação de seus analistas. O que não se tem é uma regra que seja comum para todas. A psicanálise é exercida por profissionais que tenham curso superior em qualquer área do conhecimento. Contudo, a prática legitimada por uma das escolas de psicanálise pressupõe que o analista tenha passado por processo de formação específico, que consiste normalmente em: análise pessoal, estudos (participação em seminários, congressos, jornadas, cartéis (grupos de estudo na escola lacaniana), supervisão e controle da prática.
Para que serve a psicanálise
O analisante, como é chamada a pessoa que faz análise, normalmente procura a psicanálise em razão de um sofrimento psíquico, um sintoma que atrapalha o curso normal de sua vida. Pode ser, por exemplo, relacionamentos conturbados, fobias, dificuldades no trabalho, dificuldades para dormir, problemas alimentares, depressão, vícios, ansiedade. O sintoma na psicanálise não é visto necessariamente como uma doença, mas sim como uma tentativa de solução inconsciente para uma questão emocional. Uma análise bem conduzida e levada até seu final pode aliviar o sofrimento e transformar a forma como o analisante lida com seu sintoma.
Como funciona a psicanálise
O analisante encontra o analista, aquele a quem coloca na posição de quem sabe sobre seu sintoma e sabe como solucioná-lo. Estabelece-se entre analista e analisante a transferência, parte importante do tratamento. A transferência é a relação entre ambos que permite ao analisante “atualizar” na sessão situações passadas que ainda estão produzindo efeitos no presente.
A fala na análise é diferente da conversa comum que se tem com parentes e amigos, por exemplo. Trata-se da chamada “associação livre”. Nela o analisante é convidado a falar tudo o que vier à sua cabeça no momento da sessão, sem medo ou vergonha, sem se preocupar com a ordem das ideias, com a coerência, com o sentido, com a forma, ou se o analista está ou não entendendo. Parece fácil, mas é talvez a parte mais difícil do tratamento. O analista, por sua vez, tem uma escuta treinada para ouvir as manifestações do inconsciente. Tratando-se de um analista lacaniano, ele vai buscar o desejo por traz do que é dito. O analista capta isso nos equívocos, nas homofonias (palavras que se assemelham pelo som), nos impasses, nas pausas, suspiros, recuos, negações, nas faltas à sessão, na forma como o analisante lida com o dinheiro, entre outras tantas referências.
A escuta analítica é quase uma leitura: é um trabalho de pontuação, de interpretação do “texto”, de sublinhar algumas palavras, eliminar repetições, orientar o ritmo. Durante o período da análise, o inconsciente “trabalha” e produz seus conteúdos, que, por sua vez, podem ser objeto da análise: sonhos, atos falhos, humor são alguns deles. Todo esse material serve de pista para se seguir as trilhas do desejo inconsciente e da formação do sintoma. A partir desse “encontro” com o inconsciente, o analisante pode criar novas soluções ali onde havia o sintoma, produzir novas interpretações, mais funcionais, para lidar com as dificuldades da vida.
Quer saber mais? Seguem os principais links da escola Lacaniana no Brasil e na França:
Associação mundial de psicanálise
https://www.wapol.org/pt/template.asp
Escola Brasileira de Psicanálise
https://www.wapol.org/pt/template.asp
École de la cause freudienne (Escola da Causa Freudiana – Paris – França) https://www.causefreudienne.org