
Paradigma 1: a imaginarização do gozo Vemos aqui a busca de sentido na fala. A comunicação é intersubjetiva e dialética. Prevalece o registro imaginário. Paradigma 2: a significantização do gozo O imaginário ganha consistência simbólica. O gozo se divide entre o desejo e a fantasia. Ele é, por um lado, o desejo como significado da demanda inconsciente e, por outro lado, desejo morto, como função significante. Paradigma 3: o gozo impossível O gozo real. Quer dizer que a satisfação pulsional não se encontra nem no imaginário nem no simbólico. Ela está no real. No impossível. Paradigma 4: o gozo normal Há aqui uma estreita relação entre o significante (o simbólico) e o gozo. O gozo tem como elemento o objeto a (objeto causa de desejo). Paradigma 5: o gozo discursivo Há uma relação discursiva entre os significantes e o gozo. A repetição do significante é repetição de gozo. O significante é o signo do sujeito. Paradigma 6: a não-relação Há uma disjunção entre significante e significado, disjunção do gozo e do Outro, disjunção do Homem e da mulher sob a forma de “A relação sexual não existe”. Todos os termos que asseguravam a relação – o Outro, o Nome-do-Pai, o falo – reduzem-se a conectores. O laço, entre rotina e invenção.
* Jacques-Alain Miller é psicanalista na França. Ele é herdeiro dos direitos sobre as obras de Jacques Lacan - também psicanalista francês, seu genro. Vem contribuindo para o ensino e transmissão da psicanálise lacaniana, principalmente pela participação na fundação da École de la cause freudienne e da Association Mondiale de la Psychanalyse. Fonte: Curso L’Orientation Lacanienne, “Les six paradigmes de la jouissance”, ministrado por Jacques Alain-Miller na Universidade Paris 8, Paris, França, 1999, inédito. Revista eletrônica de psicanálise: Opção Lacaniana online, Ano 3, Número 7, março 2012.