Os seis paradigmas do gozo, segundo Jacques-Alain Miller*

Paradigma 1: a imaginarização do gozo

Vemos aqui a busca de sentido na fala. A comunicação é intersubjetiva e dialética. Prevalece o registro imaginário. 

Paradigma 2: a significantização do gozo

O imaginário ganha consistência simbólica. O gozo se divide entre o desejo e a fantasia. Ele é, por um lado, o desejo como significado da demanda inconsciente e, por outro lado, desejo morto, como função significante. 

Paradigma 3: o gozo impossível

O gozo real. Quer dizer que a satisfação pulsional não se encontra nem no imaginário nem no simbólico. Ela está no real. No impossível. 

Paradigma 4: o gozo normal

Há aqui uma estreita relação entre o significante (o simbólico) e o gozo. O gozo tem como elemento o objeto a (objeto causa de desejo).

Paradigma 5: o gozo discursivo

Há uma relação discursiva entre os significantes e o gozo. A repetição do significante é repetição de gozo. O significante é o signo do sujeito. 

Paradigma 6: a não-relação

Há uma disjunção entre significante e significado, disjunção do gozo e do Outro, disjunção do Homem e da mulher sob a forma de “A relação sexual não existe”. Todos os termos que asseguravam a relação – o Outro, o Nome-do-Pai, o falo – reduzem-se a conectores. O laço, entre rotina e invenção. 
* Jacques-Alain Miller é psicanalista na França. Ele é herdeiro dos direitos sobre as obras de Jacques Lacan - também psicanalista francês, seu genro. Vem contribuindo para o ensino e transmissão da psicanálise lacaniana, principalmente pela participação na fundação da École de la cause freudienne e da Association Mondiale de la Psychanalyse. 
 
Fonte:  Curso L’Orientation Lacanienne, “Les six paradigmes de la jouissance”, ministrado por Jacques Alain-Miller na Universidade Paris 8, Paris, França, 1999, inédito.

Revista eletrônica de psicanálise: Opção Lacaniana online, Ano 3, Número 7, março 2012.

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